domingo, 25 de novembro de 2007

Leituras importantes

Neste final de semana estava lendo o capítulo 5 do livro " A louca da casa" de Rosa Monteiro e deparei-me com uma passagem muito interessante em que a autora fala sobre o poder "[...] o poder não é um indivíduo, não é uma instituição, não é uma estrutura firme e única, é antes uma teia pegajosa e confusa que suja todos os campos da nossa existência"(p.41). Nesta passagem tive a sensação inicial de estar lendo Foucault, porque a forma como Monteiro segue, em certa medida, aproxima-se do pensamento Foucaultiano, mas num tom mais jornalístico, o que torna o texto ainda mais envolvente.

Se Monteiro era ou é adepta de Foucault, não importa no momento, mas o seu jeito envolvente de escrever e trazendo conceitos complexos me fez pensar o meu jeito de escrever. Algumas vezes percebo que minha escrita se torna muito acadêmica e faço as relações entre os conceitos de maneira adequada, contudo, sinto que falta esta escrita mais poética talvez, mais envolvente, sem que com isso, eu perca o rigor acadêmico, necessário para uma dissertação de mestrado por exemplo.
Confesso que este livro está me movimentando a pensar o meu processo de escrita e me mostrando outras formas de falar, de usar conceitos, de problematizar sem sair do tom. Este é um livro que eu indico!! Vale a pena investir umas horas nesta leitura.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Aprendendo com o grupo

Desde que iniciamos no PEAD ouvimos as coordenadoras nos "convidando" a trabalhar em grupo, nos incentivando a constituir comunidades de aprendizagem. Poucas vezes conseguimos realmente colocar isso em prática e por diversos fatores que não vou enumerar. Mas está acontecendo um fórum no ambiente que tem modificado o relacionamento no grupo, um fórum sobre temas a serem estudados. Os colegas estão contribuindo com sugestões de artigos, de livros que poderão colaborar com a prática de tutoria.Estamos neste fórum, conseguindo interagir e apontar caminhos a serem trilhados, o que já demonstra, no meu entendimento, um crescimento do grupo.
A colega Maura, por exemplo, vendo em meu comentário algumas sugestões e inquietações, sugeriu a leitura do artigo "Modelando Ambientes de Aprendizagem a distância baseado no uso de mídias integradas: um estudo de caso" (Beatriz Franciosi, Adriana Beiler e Paulo Wagner, da pucrs virtual). E este é somente um exmplo do que está acontecendo no fórum. Estamos trocando idéias, materiais e tudo voltado para nossa qualificação e, por conseguinte, qualificação do curso. Acredito que estejamos dando passos importantes no que tange ao estreitamento da distância entre o próprio grupo de tutores o que já é um aspecto importante para a tão aspirada construção da comunidade de aprendizagem.

domingo, 11 de novembro de 2007

Relações de poder...

Os estudos de Michel Foucault nos mostram que o poder não se encontra nas mãos de alguns privilegiados, mas de que estamos todos imersos numa trama de relações de poder. Nas palavras de Foucault o poder então entendido como " [...] algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou bem. O poder funciona e se exerce em rede. [...] o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles". (FOUCAULT, 1984, p.183). Entendendo assim o poder não podemos de deixar de problemtizar os discursos considerando que estes estão inseridos numa rede de poder que os governam, cerceiam e controlam. Mas por que trago poder e discurso para este momento?
Pensando nos encontros do Espead vejo que quando ocorrem momentos de discussões, de debates entre professores e tutores, muitas vezes alguns discursos são interditados. E parece-me muito claro que há uma "ordem do discurso" vigente no curso e diante disto, o pronunciamento de alguns discursos que escapam a esta ordem são proíbidos. Mas esta proibição não acontece de forma brusca, existem técnicas específicas, citando algumas que vejo como mais evidentes: fuga e algo que ouso denominar proteção de si. A fuga surge quando quem está fazendo parte da ordem do discurso "ignora", rejeita o discurso que não faz parte desta ordem propondo outra discussão ou mesmo outra releitura que em síntese deslocará o discurso desviante. A segunda técnica que vejo acontecer é a proteção de si. Quando a ordem do discurso é invadida por discursos desviantes a estratégia passa a ser rejeitar pela proteção ou talvez seja mais apropriado falar em manutenção da ordem vigente. Nesta técnica especificamente, percebo que todos que fazem parte da ordem do discurso no Espead jogam para os que escapam a responsabilidade de reverem suas posições e parecem ainda proporem, através de suas argumentações, que para poderem se inserir na ordem do discurso precisam, conforme o próprio Foucault (1996) comenta, seguir um certo número de regras.
Mas será que todos conseguem perceber que existem estas regras? Percebem que existe esta ordem do discurso no Espead? E de que dentre todos os envolvidos estão existindo, num mesmo curso, discursos que escapam a ordem vigente? Confesso que desde o último encontro comecei a me questionar sobre estas coisas e se hoje escrevo, não com tanta propriedade, é justamente tentando trascrever algumas angústias e inquietações que no momento me impelem a problematizar.