Nesta semana li o texto “Investigación cualitativa, intrínsecamente ética?”, escrito por Denise Gastaldo e Patrícia Mckeever e resolvi discutir um pouco o que as autoras trazem sobre a ética e pesquisa qualitativa, também trazendo algumas reflexões.
No início do texto as autoras já propõem pensarmos sobre a investigação qualitativa de forma que discutem algumas diferenciações que têm aparecido nos discursos atuais quando comparam qualitativo com quantitativo. Nestas diferenciações o método qualitativo tem sido considerado como mais humano ou moralmente superior aos quantitativos. E a natureza ética do qualitativo é descrita através de expressões como: mais humano, mais holístico, menos intrusivo, menos fragmentado, que dá mais controle aos participantes ( já não mais ‘sujeitos do estudo’(p.475).
Esta noção de pesquisa qualitativa como um estudo intrinsecamente ético pode, segundo as autoras, ter surgido a partir das características da metodologia qualitativa, e dentre elas estão os métodos de coleta de dados e política de conhecimento explícita. Assim sendo, observação (quase sempre participante) e a entrevista são métodos de coleta de dados muito utilizados porque permitem explorar fenômenos. Com a preocupação na investigação qualitativa de dar voz aos participantes, normalmente as entrevistas são elaboradas de forma mais aberta, permitindo que esses tragam suas perspectivas pessoais. São métodos que buscam aproximar o pesquisador ainda mais dos participantes, para melhor conhecê-los. E estes métodos de coleta de dados estão baseados ainda numa relação de confiança entre investigar e investigados.
Mas será que estas características dão conta da amplitude ética na investigação qualitativa? Conforme discorrem as autoras, seria ingênuo tomar o estudo qualitativo como intrinsecamente ético. Cada etapa da investigação acarreta questões éticas, desde a maneira como o problema é conceitualizado, a amostra selecionada, a forma como é feita a coleta de dados, como esses são interpretados e representados como resultados, bem como, a difusão dos dados. São muitos fatores que podem ou não tornar uma investigação qualitativa ética ou não.
E nas nossas investigações esta questão ética deve também ser lembrada e problematizada. Não somente quando estivermos fazendo a coleta de dados, mas também no que tange à análise e devolução dos resultados aos participantes.
A análise, em especial, me angustia porque estamos lidando com dados, conhecimentos, fatos relacionados com outras pessoas, um recorte que fazemos de suas vidas e ao fazermos a análise também estamos lidando com nossa subjetividade, nossas crenças e por mais que tentemos ser transparentes, fazemos uma interpretação dentre tantas possíveis dos dados coletados, o que implica ainda a produção de significados sobre os participantes a partir do nosso olhar, da nossa perspectiva teórica.
E a devolução dos resultados, mesmo que esses sejam provisórios, datados, precisam ser devolvidos ao grupo em estudo. E o que ocorre em algumas pesquisas é a falta desta devolução. E já aí, mesmo que a investigação se intitule como qualitativa, se não há a devolução aos participantes, sua ética já pode ser posta em questão.
O texto me causou desconforto e por isso trouxe estas reflexões já que nesse curso de especialização também trabalhamos com sujeitos, analisamos dados e teremos que desenvolver uma pesquisa de cunho qualitativo. E hoje, após a leitura me faço algumas questões: será realmente ético analisarmos num determinado momento do curso, alguns memoriais dos alunos, inserindo algumas de suas idéias em categorias pré-estabelecidas? Houve autorização dos alunos para que seus trabalhos fossem foco de análise, mesmo não sendo identificados? Se sim, não estou lembrada e isso pode ser uma falha pessoal. Pensando no âmbito da tutoria, é ético divulgar elogios, reclamações, enfim, expor o tutor em listas de discussão, como tantas vezes já aconteceu?
Espero poder conversar sobre essas questões porque estamos lidando com pessoas no curso e também faremos pesquisa e se o cunho qualitativo não garante a ética na pesquisa, precisamos pensá-la e buscá-la em cada passo das nossas pesquisas e acredito, pensá-la nas pequenas ações que fazemos no decorrer da especialização.
No início do texto as autoras já propõem pensarmos sobre a investigação qualitativa de forma que discutem algumas diferenciações que têm aparecido nos discursos atuais quando comparam qualitativo com quantitativo. Nestas diferenciações o método qualitativo tem sido considerado como mais humano ou moralmente superior aos quantitativos. E a natureza ética do qualitativo é descrita através de expressões como: mais humano, mais holístico, menos intrusivo, menos fragmentado, que dá mais controle aos participantes ( já não mais ‘sujeitos do estudo’(p.475).
Esta noção de pesquisa qualitativa como um estudo intrinsecamente ético pode, segundo as autoras, ter surgido a partir das características da metodologia qualitativa, e dentre elas estão os métodos de coleta de dados e política de conhecimento explícita. Assim sendo, observação (quase sempre participante) e a entrevista são métodos de coleta de dados muito utilizados porque permitem explorar fenômenos. Com a preocupação na investigação qualitativa de dar voz aos participantes, normalmente as entrevistas são elaboradas de forma mais aberta, permitindo que esses tragam suas perspectivas pessoais. São métodos que buscam aproximar o pesquisador ainda mais dos participantes, para melhor conhecê-los. E estes métodos de coleta de dados estão baseados ainda numa relação de confiança entre investigar e investigados.
Mas será que estas características dão conta da amplitude ética na investigação qualitativa? Conforme discorrem as autoras, seria ingênuo tomar o estudo qualitativo como intrinsecamente ético. Cada etapa da investigação acarreta questões éticas, desde a maneira como o problema é conceitualizado, a amostra selecionada, a forma como é feita a coleta de dados, como esses são interpretados e representados como resultados, bem como, a difusão dos dados. São muitos fatores que podem ou não tornar uma investigação qualitativa ética ou não.
E nas nossas investigações esta questão ética deve também ser lembrada e problematizada. Não somente quando estivermos fazendo a coleta de dados, mas também no que tange à análise e devolução dos resultados aos participantes.
A análise, em especial, me angustia porque estamos lidando com dados, conhecimentos, fatos relacionados com outras pessoas, um recorte que fazemos de suas vidas e ao fazermos a análise também estamos lidando com nossa subjetividade, nossas crenças e por mais que tentemos ser transparentes, fazemos uma interpretação dentre tantas possíveis dos dados coletados, o que implica ainda a produção de significados sobre os participantes a partir do nosso olhar, da nossa perspectiva teórica.
E a devolução dos resultados, mesmo que esses sejam provisórios, datados, precisam ser devolvidos ao grupo em estudo. E o que ocorre em algumas pesquisas é a falta desta devolução. E já aí, mesmo que a investigação se intitule como qualitativa, se não há a devolução aos participantes, sua ética já pode ser posta em questão.
O texto me causou desconforto e por isso trouxe estas reflexões já que nesse curso de especialização também trabalhamos com sujeitos, analisamos dados e teremos que desenvolver uma pesquisa de cunho qualitativo. E hoje, após a leitura me faço algumas questões: será realmente ético analisarmos num determinado momento do curso, alguns memoriais dos alunos, inserindo algumas de suas idéias em categorias pré-estabelecidas? Houve autorização dos alunos para que seus trabalhos fossem foco de análise, mesmo não sendo identificados? Se sim, não estou lembrada e isso pode ser uma falha pessoal. Pensando no âmbito da tutoria, é ético divulgar elogios, reclamações, enfim, expor o tutor em listas de discussão, como tantas vezes já aconteceu?
Espero poder conversar sobre essas questões porque estamos lidando com pessoas no curso e também faremos pesquisa e se o cunho qualitativo não garante a ética na pesquisa, precisamos pensá-la e buscá-la em cada passo das nossas pesquisas e acredito, pensá-la nas pequenas ações que fazemos no decorrer da especialização.

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