domingo, 11 de novembro de 2007

Relações de poder...

Os estudos de Michel Foucault nos mostram que o poder não se encontra nas mãos de alguns privilegiados, mas de que estamos todos imersos numa trama de relações de poder. Nas palavras de Foucault o poder então entendido como " [...] algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou bem. O poder funciona e se exerce em rede. [...] o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles". (FOUCAULT, 1984, p.183). Entendendo assim o poder não podemos de deixar de problemtizar os discursos considerando que estes estão inseridos numa rede de poder que os governam, cerceiam e controlam. Mas por que trago poder e discurso para este momento?
Pensando nos encontros do Espead vejo que quando ocorrem momentos de discussões, de debates entre professores e tutores, muitas vezes alguns discursos são interditados. E parece-me muito claro que há uma "ordem do discurso" vigente no curso e diante disto, o pronunciamento de alguns discursos que escapam a esta ordem são proíbidos. Mas esta proibição não acontece de forma brusca, existem técnicas específicas, citando algumas que vejo como mais evidentes: fuga e algo que ouso denominar proteção de si. A fuga surge quando quem está fazendo parte da ordem do discurso "ignora", rejeita o discurso que não faz parte desta ordem propondo outra discussão ou mesmo outra releitura que em síntese deslocará o discurso desviante. A segunda técnica que vejo acontecer é a proteção de si. Quando a ordem do discurso é invadida por discursos desviantes a estratégia passa a ser rejeitar pela proteção ou talvez seja mais apropriado falar em manutenção da ordem vigente. Nesta técnica especificamente, percebo que todos que fazem parte da ordem do discurso no Espead jogam para os que escapam a responsabilidade de reverem suas posições e parecem ainda proporem, através de suas argumentações, que para poderem se inserir na ordem do discurso precisam, conforme o próprio Foucault (1996) comenta, seguir um certo número de regras.
Mas será que todos conseguem perceber que existem estas regras? Percebem que existe esta ordem do discurso no Espead? E de que dentre todos os envolvidos estão existindo, num mesmo curso, discursos que escapam a ordem vigente? Confesso que desde o último encontro comecei a me questionar sobre estas coisas e se hoje escrevo, não com tanta propriedade, é justamente tentando trascrever algumas angústias e inquietações que no momento me impelem a problematizar.

2 comentários:

Adriana Irigaray disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriana Irigaray disse...

Relações de poder, este presente no nosso dia-a-dia,passando por muitos, e será que não se concentrz em tão poucos? Na minha caminhada, acredito que exista este poder concentrado, só mudando o local, e as pessoas. Assistimos a isto quase diariamente, às vezes quase não percebemos, por fazer parte do nosso cotidiano.
Bjs....