Acredito ser válido falar um pouco sobre a linguagem e seu caráter constitutivo. Se com a Filosofia da Educação Moderna a linguagem era entendida como representação. Com a Filosofia pós-moderna a linguagem assume outra posição, ela não representa, mas institui o mundo, ela é constituidora e isto possibilita pensar, conforme Alfredo Veiga-Neto, que sujeito e objeto são criados pelo ato de pensar e não estão em algum lugar à espera para serem desvelados, pensados, mostrando assim, que as coisas são produzidas, inventadas, já que a linguagem é o próprio pensamento, não havendo pensamento sem linguagem e nem linguagem sem pensamento.
O filme Doze homens e uma sentença me mobilizou a pensar na importância da linguagem. No filme o poder constituidor da linguagem ficou muito evidente. Em uma das cenas quando um dos doze homens comenta que o jovem era culpado justificando essa decisão pelo fato de ele ter saído de um cortiço, entendido como uma escola de bandidos. Esta fala não levou nada em consideração sobre a vida do jovem apenas as crenças e as "verdades construídas" sobre quem vive em um cortiço. Uma fala que enquadrou o jovem numa posição de sujeito (o bandido) que talvez não fosse. Neste caso ao dizer qeu o jovem era bandido, por isso matou o pai, a hipótese de não ter cometido o crime não foi pensada pelo jurado em questão.
Associei esta cena a uma fala de Guacira Lopes Louro (mimeo), quando a autora comenta que “há coisas e há sujeitos que são impensáveis no interior de uma determinada cultura, e eles são impensáveis porque não se enquadram numa lógica ou num quadro admissíveis àquela cultura” (p.28). Nesta circunstância, fazendo uma aproximação com o filme, seria possível pensar que o jovem para o jurado que o identificou como assassino pela sua vivência anterior (cortiço), não podia ser concebido como inocente pois não fazia parte da lógica daquela cultura na qual o jurado estava inserido, mas podia ser bandido, já que pela lógica do jurado, o cortiço era compreendido, pensado, constituído como local em que se produziam bandidos.

Um comentário:
Oí colega, penso que o poder da da argumentação, dentro da linguagem é muito forte.Assim, como crenças contruídas em nossa sociedade, que abacam com que inocententes já nasçam culpados.Fazendo uma relação, com nossas escolas, muitos professores fazem isto diariamente com seus alunos; filhos de marginais, de prostitutas, negros, e tantos outros.
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