terça-feira, 11 de dezembro de 2007

“Investigación cualitativa, intrínsecamente ética?”

Nesta semana li o texto “Investigación cualitativa, intrínsecamente ética?”, escrito por Denise Gastaldo e Patrícia Mckeever e resolvi discutir um pouco o que as autoras trazem sobre a ética e pesquisa qualitativa, também trazendo algumas reflexões.
No início do texto as autoras já propõem pensarmos sobre a investigação qualitativa de forma que discutem algumas diferenciações que têm aparecido nos discursos atuais quando comparam qualitativo com quantitativo. Nestas diferenciações o método qualitativo tem sido considerado como mais humano ou moralmente superior aos quantitativos. E a natureza ética do qualitativo é descrita através de expressões como: mais humano, mais holístico, menos intrusivo, menos fragmentado, que dá mais controle aos participantes ( já não mais ‘sujeitos do estudo’(p.475).
Esta noção de pesquisa qualitativa como um estudo intrinsecamente ético pode, segundo as autoras, ter surgido a partir das características da metodologia qualitativa, e dentre elas estão os métodos de coleta de dados e política de conhecimento explícita. Assim sendo, observação (quase sempre participante) e a entrevista são métodos de coleta de dados muito utilizados porque permitem explorar fenômenos. Com a preocupação na investigação qualitativa de dar voz aos participantes, normalmente as entrevistas são elaboradas de forma mais aberta, permitindo que esses tragam suas perspectivas pessoais. São métodos que buscam aproximar o pesquisador ainda mais dos participantes, para melhor conhecê-los. E estes métodos de coleta de dados estão baseados ainda numa relação de confiança entre investigar e investigados.
Mas será que estas características dão conta da amplitude ética na investigação qualitativa? Conforme discorrem as autoras, seria ingênuo tomar o estudo qualitativo como intrinsecamente ético. Cada etapa da investigação acarreta questões éticas, desde a maneira como o problema é conceitualizado, a amostra selecionada, a forma como é feita a coleta de dados, como esses são interpretados e representados como resultados, bem como, a difusão dos dados. São muitos fatores que podem ou não tornar uma investigação qualitativa ética ou não.
E nas nossas investigações esta questão ética deve também ser lembrada e problematizada. Não somente quando estivermos fazendo a coleta de dados, mas também no que tange à análise e devolução dos resultados aos participantes.
A análise, em especial, me angustia porque estamos lidando com dados, conhecimentos, fatos relacionados com outras pessoas, um recorte que fazemos de suas vidas e ao fazermos a análise também estamos lidando com nossa subjetividade, nossas crenças e por mais que tentemos ser transparentes, fazemos uma interpretação dentre tantas possíveis dos dados coletados, o que implica ainda a produção de significados sobre os participantes a partir do nosso olhar, da nossa perspectiva teórica.
E a devolução dos resultados, mesmo que esses sejam provisórios, datados, precisam ser devolvidos ao grupo em estudo. E o que ocorre em algumas pesquisas é a falta desta devolução. E já aí, mesmo que a investigação se intitule como qualitativa, se não há a devolução aos participantes, sua ética já pode ser posta em questão.
O texto me causou desconforto e por isso trouxe estas reflexões já que nesse curso de especialização também trabalhamos com sujeitos, analisamos dados e teremos que desenvolver uma pesquisa de cunho qualitativo. E hoje, após a leitura me faço algumas questões: será realmente ético analisarmos num determinado momento do curso, alguns memoriais dos alunos, inserindo algumas de suas idéias em categorias pré-estabelecidas? Houve autorização dos alunos para que seus trabalhos fossem foco de análise, mesmo não sendo identificados? Se sim, não estou lembrada e isso pode ser uma falha pessoal. Pensando no âmbito da tutoria, é ético divulgar elogios, reclamações, enfim, expor o tutor em listas de discussão, como tantas vezes já aconteceu?
Espero poder conversar sobre essas questões porque estamos lidando com pessoas no curso e também faremos pesquisa e se o cunho qualitativo não garante a ética na pesquisa, precisamos pensá-la e buscá-la em cada passo das nossas pesquisas e acredito, pensá-la nas pequenas ações que fazemos no decorrer da especialização.

domingo, 25 de novembro de 2007

Leituras importantes

Neste final de semana estava lendo o capítulo 5 do livro " A louca da casa" de Rosa Monteiro e deparei-me com uma passagem muito interessante em que a autora fala sobre o poder "[...] o poder não é um indivíduo, não é uma instituição, não é uma estrutura firme e única, é antes uma teia pegajosa e confusa que suja todos os campos da nossa existência"(p.41). Nesta passagem tive a sensação inicial de estar lendo Foucault, porque a forma como Monteiro segue, em certa medida, aproxima-se do pensamento Foucaultiano, mas num tom mais jornalístico, o que torna o texto ainda mais envolvente.

Se Monteiro era ou é adepta de Foucault, não importa no momento, mas o seu jeito envolvente de escrever e trazendo conceitos complexos me fez pensar o meu jeito de escrever. Algumas vezes percebo que minha escrita se torna muito acadêmica e faço as relações entre os conceitos de maneira adequada, contudo, sinto que falta esta escrita mais poética talvez, mais envolvente, sem que com isso, eu perca o rigor acadêmico, necessário para uma dissertação de mestrado por exemplo.
Confesso que este livro está me movimentando a pensar o meu processo de escrita e me mostrando outras formas de falar, de usar conceitos, de problematizar sem sair do tom. Este é um livro que eu indico!! Vale a pena investir umas horas nesta leitura.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Aprendendo com o grupo

Desde que iniciamos no PEAD ouvimos as coordenadoras nos "convidando" a trabalhar em grupo, nos incentivando a constituir comunidades de aprendizagem. Poucas vezes conseguimos realmente colocar isso em prática e por diversos fatores que não vou enumerar. Mas está acontecendo um fórum no ambiente que tem modificado o relacionamento no grupo, um fórum sobre temas a serem estudados. Os colegas estão contribuindo com sugestões de artigos, de livros que poderão colaborar com a prática de tutoria.Estamos neste fórum, conseguindo interagir e apontar caminhos a serem trilhados, o que já demonstra, no meu entendimento, um crescimento do grupo.
A colega Maura, por exemplo, vendo em meu comentário algumas sugestões e inquietações, sugeriu a leitura do artigo "Modelando Ambientes de Aprendizagem a distância baseado no uso de mídias integradas: um estudo de caso" (Beatriz Franciosi, Adriana Beiler e Paulo Wagner, da pucrs virtual). E este é somente um exmplo do que está acontecendo no fórum. Estamos trocando idéias, materiais e tudo voltado para nossa qualificação e, por conseguinte, qualificação do curso. Acredito que estejamos dando passos importantes no que tange ao estreitamento da distância entre o próprio grupo de tutores o que já é um aspecto importante para a tão aspirada construção da comunidade de aprendizagem.

domingo, 11 de novembro de 2007

Relações de poder...

Os estudos de Michel Foucault nos mostram que o poder não se encontra nas mãos de alguns privilegiados, mas de que estamos todos imersos numa trama de relações de poder. Nas palavras de Foucault o poder então entendido como " [...] algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou bem. O poder funciona e se exerce em rede. [...] o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles". (FOUCAULT, 1984, p.183). Entendendo assim o poder não podemos de deixar de problemtizar os discursos considerando que estes estão inseridos numa rede de poder que os governam, cerceiam e controlam. Mas por que trago poder e discurso para este momento?
Pensando nos encontros do Espead vejo que quando ocorrem momentos de discussões, de debates entre professores e tutores, muitas vezes alguns discursos são interditados. E parece-me muito claro que há uma "ordem do discurso" vigente no curso e diante disto, o pronunciamento de alguns discursos que escapam a esta ordem são proíbidos. Mas esta proibição não acontece de forma brusca, existem técnicas específicas, citando algumas que vejo como mais evidentes: fuga e algo que ouso denominar proteção de si. A fuga surge quando quem está fazendo parte da ordem do discurso "ignora", rejeita o discurso que não faz parte desta ordem propondo outra discussão ou mesmo outra releitura que em síntese deslocará o discurso desviante. A segunda técnica que vejo acontecer é a proteção de si. Quando a ordem do discurso é invadida por discursos desviantes a estratégia passa a ser rejeitar pela proteção ou talvez seja mais apropriado falar em manutenção da ordem vigente. Nesta técnica especificamente, percebo que todos que fazem parte da ordem do discurso no Espead jogam para os que escapam a responsabilidade de reverem suas posições e parecem ainda proporem, através de suas argumentações, que para poderem se inserir na ordem do discurso precisam, conforme o próprio Foucault (1996) comenta, seguir um certo número de regras.
Mas será que todos conseguem perceber que existem estas regras? Percebem que existe esta ordem do discurso no Espead? E de que dentre todos os envolvidos estão existindo, num mesmo curso, discursos que escapam a ordem vigente? Confesso que desde o último encontro comecei a me questionar sobre estas coisas e se hoje escrevo, não com tanta propriedade, é justamente tentando trascrever algumas angústias e inquietações que no momento me impelem a problematizar.

sábado, 13 de outubro de 2007

Reflexão a partir do filme Doze homens e uma sentença

Acredito ser válido falar um pouco sobre a linguagem e seu caráter constitutivo. Se com a Filosofia da Educação Moderna a linguagem era entendida como representação. Com a Filosofia pós-moderna a linguagem assume outra posição, ela não representa, mas institui o mundo, ela é constituidora e isto possibilita pensar, conforme Alfredo Veiga-Neto, que sujeito e objeto são criados pelo ato de pensar e não estão em algum lugar à espera para serem desvelados, pensados, mostrando assim, que as coisas são produzidas, inventadas, já que a linguagem é o próprio pensamento, não havendo pensamento sem linguagem e nem linguagem sem pensamento.
O filme Doze homens e uma sentença me mobilizou a pensar na importância da linguagem. No filme o poder constituidor da linguagem ficou muito evidente. Em uma das cenas quando um dos doze homens comenta que o jovem era culpado justificando essa decisão pelo fato de ele ter saído de um cortiço, entendido como uma escola de bandidos. Esta fala não levou nada em consideração sobre a vida do jovem apenas as crenças e as "verdades construídas" sobre quem vive em um cortiço. Uma fala que enquadrou o jovem numa posição de sujeito (o bandido) que talvez não fosse. Neste caso ao dizer qeu o jovem era bandido, por isso matou o pai, a hipótese de não ter cometido o crime não foi pensada pelo jurado em questão.
Associei esta cena a uma fala de Guacira Lopes Louro (mimeo), quando a autora comenta que há coisas e há sujeitos que são impensáveis no interior de uma determinada cultura, e eles são impensáveis porque não se enquadram numa lógica ou num quadro admissíveis àquela cultura” (p.28). Nesta circunstância, fazendo uma aproximação com o filme, seria possível pensar que o jovem para o jurado que o identificou como assassino pela sua vivência anterior (cortiço), não podia ser concebido como inocente pois não fazia parte da lógica daquela cultura na qual o jurado estava inserido, mas podia ser bandido, já que pela lógica do jurado, o cortiço era compreendido, pensado, constituído como local em que se produziam bandidos.

Usando marcadores




Trabalhamos com blog desde o início do curso de Pedagogia a Distância e foi somente neste semestre que percebi a importância de usar marcadores para as postagens. Fui aprender a trabalhar com marcadores a partir de um tutorial criado pela professora Iris. Me sentindo como aluna, segui todos os passos indicados pela professora e acredito ter aprendido. Algo fácil de usar mas que até então não tinha percebido como útil e necessário neste espaço.

sábado, 22 de setembro de 2007

Quem sou eu?


Bem - vindos!!!


Neste blog encontrarão postagens referentes às aprendizagens, reflexões realizadas ao longo do curso de Especialização Tutoria em EaD. Desta forma, poderão acompanhar minha trajetória ao longo do curso, contribuindo também com comentários .